Guilherme tinha tanta raiva dentro
de si que um dia matou um. Mas não era um qualquer: era um cara que ele já
tinha rancor faz um bom tempo: um antigo
colega de classe do ensino fundamental. Os dois ainda moravam na mesma cidade;
os dois ainda mantinham um grupo de amigos daquela época; os dois andavam por
aí fingindo: um que não tinha machucado o outro e o outro que não tinha se
sentido machucado. Não tenho certeza de como ele matou o “colega”, mas matou. Guilherme
parou de cumprimentar o cara, depois começou a não conseguir mais fingir a
raiva: rangia os dentes, tinha pesadelos (as vezes sonhos bons onde matava o
cara com uma faca, o cachorro do cara com veneno e o Mamute do cara que vira e
mexe aparecia no sonho). Tremia o tempo todo até que começou a andar com um
canivete no bolso. Um canivete que o tio do Guilherme tinha dado a ele quando
criança.
Guilherme começou a apreciar o
canivete. Começou descascando laranja, depois cortando pedaços de barbante
(todos de tamanho perfeitamente iguais; se saíam maiores ele arrumava, se saíam
menores ele tocava fogo). O canivete foi tipo o porquinho da Índia. Canivete, a
primeira namorada de Guilherme. Ele se entretia por horas apenas
olhando o canivete e afiando-o. Parou de ter sonhos em que assassinava o antigo “colega”. Começou a colecionar
canivetes. Passou para butterflyes. Facas simples. Facas especiais para
churrasco. Facas de cerâmica. Facas para grandes Chefs. Se torno Sous Chef de um grande
restaurante. Saiu do restaurante e abriu o seu próprio. Ganhou 5 estrelas pela
comida. No dia do famoso Pato ao molho que levava seu sobrenome saiu mais cedo
e matou o um.

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