Guilherme tinha tanta raiva dentro de si que um dia matou um. Mas não era um qualquer: era um cara que ele já tinha rancor faz um bom tempo: um antigo colega de classe do ensino fundamental. Os dois ainda moravam na mesma cidade; os dois ainda mantinham um grupo de amigos daquela época; os dois andavam por aí fingindo: um que não tinha machucado o outro e o outro que não tinha se sentido machucado. Não tenho certeza de como ele matou o “colega”, mas matou. Guilherme parou de cumprimentar o cara, depois começou a não conseguir mais fingir a raiva: rangia os dentes, tinha pesadelos (as vezes sonhos bons onde matava o cara com uma faca, o cachorro do cara com veneno e o Mamute do cara que vira e mexe aparecia no sonho). Tremia o tempo todo até que começou a andar com um canivete no bolso. Um canivete que o tio do Guilherme tinha dado a ele quando criança. Guilherme começou a apreciar o canivete. Começou descascando laranja, depois cortando pedaços de barbante (todos de tamanho ...