Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de junho, 2014

Entre pratos patos e assassinatos

Guilherme tinha tanta raiva dentro de si que um dia matou um. Mas não era um qualquer: era um cara que ele já tinha rancor faz  um bom tempo: um antigo colega de classe do ensino fundamental. Os dois ainda moravam na mesma cidade; os dois ainda mantinham um grupo de amigos daquela época; os dois andavam por aí fingindo: um que não tinha machucado o outro e o outro que não tinha se sentido machucado. Não tenho certeza de como ele matou o “colega”, mas matou. Guilherme parou de cumprimentar o cara, depois começou a não conseguir mais fingir a raiva: rangia os dentes, tinha pesadelos (as vezes sonhos bons onde matava o cara com uma faca, o cachorro do cara com veneno e o Mamute do cara que vira e mexe aparecia no sonho). Tremia o tempo todo até que começou a andar com um canivete no bolso. Um canivete que o tio do Guilherme tinha dado a ele quando criança. Guilherme começou a apreciar o canivete. Começou descascando laranja, depois cortando pedaços de barbante (todos de tamanho ...

Trampolim

Nem ao menos um bom banho eu posso tomar desde aquele bizarro diagnóstico sessenta anos atrás . Minha mãe nunca me julgaria pelo ato vindo do simples salto de um trampolim e assim trará uma consequência avassaladora para minha vida: a morte. Por quê eu penso na minha mãe nesse momento estranho? As criançinhas e os adolescentes vêm e vão e pulam sem medo algum deste maldito trampolim. Eu costumava pular sem qualquer consequência também a muito tempo atrás. Bate o sino pequenino sino de Belém. Quanto mais eu tento focar-me... já nasceu Deus menino para o nosso bem. Quanto mais devo ir para frente? As vezes a coragem aparece as vezes ela some. Como é fácil pular e deixar o corpo no ar; atingir a àgua e tranquilamente nadar até a beirada da piscina; como já foi fácil. Como é fácil nadar por horas e nem notar o tempo passando. Nadar por puro prazer como eu fazia. Braçada após braçada e sentir a água perpassando o seu corpo inteiro. Sei lá, sei lá, a vida é uma grande i...

Entregando

Mais um que nem pra abaixar o vidro. Mas também, até parece que eu me importo. Pra que mentir pra mim mesmo; é claro que eu me importo, se eu tou pensando nisso é porque um pouco eu me importo. Mas porquê é que eu me importo ein? Brigado. Sei lá, não tem muita explicação mas todo dia, todo dia mesmo, eu fico me debatendo se eu não podia estar fazendo algo melhor. Como se eu tivesse chance. Mas também tá bom porque é só ficar aqui e tal; e panfletos e tal. Será que alguém com quem eu estudei no primário já passou por aqui e me reconheceu? Se reconheceu não falou nada. Bom dia, brigado. Puxa eu tou tendo um daqueles surtos em que não paro de pensar e narro pra mim mesmo algo absurdamente nada a ver com o que estou fazendo. O quê? Porquê eu tou narrando a narração pra mim mesmo me narrando...             A Dani me mostrou Aquela réplica enorme de cobra coral que colocaram no alto daquela árvore na praça 7. Eu hein, que medo. Parec...

Em direção a Cook

            Já tava saindo pela porta quando meu pai             - Boa viagem meu filho!             Fitei-o com ódio “te odeio, te odeio”! Fechei a porta atrás de mim e fui ao único ponto de Ônibus que conhecia. Bolotas, começou a chover. Eu não sabia se o cobrador aceitaria mnhas moedas(eram moedas da Nova Zelândia) então desisti do ônibus e continuei andando. Subi mais uns três quarteirões naquela chuva e ao chegar na esquina toda a minha roupa e a minha mochila estavam encharcadas. “Te mato, te mato”! Resolvi descansar um pouco. Tinha umas moedas no bolso e uma nota de dois reais toda encharcada. Dava pra uma coxinha e uma coca-cola. A chuva não parava e tinha arruinado a minha viagem para as ilhas Cook. O capitão Cook tinha sido morto pelos habitantes da ilha depois de uma viagem anterior em que foi saudado co...