Pular para o conteúdo principal

Muita gente diz

 que não fez nada da vida. Na verdade a maioria das pessoas que ouvi dizerem isso fizeram coisas demais se você considerar direito. Parece que esse momento vêm para todos. E se você, conscientemente, fizer a escolha de pular a etapa de luta e simplesmente dizer: “Bem, já tenho 16 anos, não tive tempo de conquistar nada ainda, me frustrei em tudo o que não fiz, por que não, já que claramente ouço pessoas de todas as idades, que já viveram muito mais que eu, estão na casa dos 50, 60, dizerem com toda a certeza possível, convicção inimaginável, que não fizeram nada da vida, não posso já iniciar pela desistência?”  Pra que passar pela frustração, tentativa e erro, que se transforma inevitavelmente em erro latente e erro manifesto, fatídica repetição inigualável em germinação, árvore podre lacrimogênea que resmunga e se lamenta o tempo inteiro? “Fiz a escolha!” você poderá dizer orgulhosamente daquilo que todo mundo procura dizer o mais cedo possível e você a faz com apenas 16 anos. Sensacional. Passar os dias sem fazer absolutamente nada, prostrado em frente à TV (por que a internet exige certa interação e bem, pau no cu da interação), comendo doritos e nutella para sobreviver ao que provavelmente vai ser uma vida curta com morte por diabetes ou algo como um ataque cardíaco (na verdade morrer por ataque cardíaco seria trágico, e a tragédia é por causa ou leva a uma conquista então fiquemos com diabetes mesmo) e afirmar “Fiz a escolha!”. Não se enganem, não estou defendendo o suicídio que seria a escolha pelo nada; a escolha feita é a por não fazer nada. Erguer a bandeirinha branca antes mesmo de a batalha começar. Admitir que a derrota é a verdadeira forma de vitória. E então do nada apareceu... não, não; ninguém apareceu do nada. Nada de respostas. Putz, nova temporada com 24 episódios no netflix. Preciso ir.Isso não vai dar pra terminar. Peraí rolou começo?


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Olhando Frederico Gonzalez de Moraes fredericojg@yahoo.com.br Embrulho de bala, caixa de papelão de sabão em pó, dois pés descobertos: dois pés descobertos e o resto do corpo coberto por um cobertor e malas ao redor e umas roupas ao lado e pés descobertos. Calçada, calçada, rua; rua e faixa de pedestres e outra calçada e um, dois, três, quatro chicletes colados quase formando um círculo. Sapato marrom, tênis branco, sandália, chinelo e o chinelo era azul do lado azul nas tiras e provavelmente azul embaixo mas em cima era branco. Era branco originalmente mas estava meio amarronzado de sujeira. Estava amarronzado de sujeira e de algo preto também, talvez queimada de cana de açúcar. Meia branca, meia cinza, meia preta. Meias nos sapatos, tênis e chinelos. Cabelo na rua, mais de uma pessoa. Rua e outra calçada. Beirada de uma árvore. Canteiro e rodas de carro. Papel de bombom, e é aquele que eu gosto e não é muito doce e pode comer vários. Roda de carro, roda de bicicleta e de...

Cabeça formal e informal

Quando não saía da cama mal podia se mexer. Suas funções motoras estavam perfeitas; era que movimentar o corpo implicava em movimentar a mente e aquilo era demais para ele. Um desapontamento. Sempre lidar ( a verdade é que não sabia lidar) com o pensamento causando mal estar, cruzando os pensamentos com as pernas e entrelaçando corpo e mente em cada esquina para atravessar a rua. Além de lidar consigo mesmo precisava não ser atropelado, respirar corretamente, não surtar na rua (essa última levava bem a sério) entre outras coisas banais ou simplesmente de vida ou morte. Um dia acordou sem pensar. Devia ter tido um caso especial de derrame. Se movimentava igual. Funções motoras ainda perfeitas. O mal estar sumiu, os pensamentos não mais cruzavam seus passos, não esperavam em cada esquina; ser atropelado não lhe passava pela cabeça, muito menos respirar. Não havia surtado: era o mesmo. Poderiam dizer que havia mudado. Mas como? Trabalhava como arquivista e não lidava com muita g...

1 de 3 desastres

João estava super entusiasmado com ter conseguido um emprego. Não podia acreditar que ainda bem jovem (tinha apenas 23 anos) havia conseguido aquele trabalho em uma empresa automotiva. Com mais de 14 milhões de desempregados, via pessoas desesperadas entre seus amigos e na sua família. Agora poderia se tranquilizar um pouco. Começou o trabalho como um bom cristão: se dedicando, não criticando nada e focado no trabalho que, causava um cansaço absurdo, mas que lhe garantia um salário no fim do mês. Uma coisa lhe chamou atenção demais: todos os empregados tinham direito a um terreno. Com as doze horas que acabava trabalhando não teve tempo de visitar o seu pedaço de terra, que lhe concederia uma folga quando se aposentasse. Pensava muito nisso pois queria deixar algo para sua esposa, Francisca com quem havia casado há apenas 1 ano; fora o fato que planejavam três filhos. Um pouco fora dos acontecimentos políticos, sem tempo para ler jornais ou sites na internet, se concentrou...