Pular para o conteúdo principal

Dias iguais... vício gratuíto

Aquela primeira tragada logo de manhã era sensacional. Ele já tinha tentando parar várias vezes mas o aumento da taxa dava ainda mais sabor e prazer à tragada.

Levantou-se cambaleando, totalmente intoxicado e feliz. Pegou o copo de café que estava na avenida Jabaquara e deu um gole. Os carros buzinavam mas não o incomodava nem um pouco. O motoqueiro passou raspando ao seu lado e o xingou. Ele tranquilamente foi para a calçada.

O relógio do bar marcava 5 da manhã. O bar já servia pinga com café para três homens com uns 40 e poucos anos. Eles nada notaram. Nada notavam fazia 40 e poucos anos.

Ele tinha acesso a seu vício; não sabia porque tinha tentado parar. Era gratuito. Todos pagavam por seus vícios. Ele tinha acesso gratuito! Passe livre.







Continua aqui

Comentários

  1. "...três homens com uns 40 e poucos anos. Eles nada notaram. Nada notavam fazia 40 e poucos anos."
    Gostei dessa passagem!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Olhando Frederico Gonzalez de Moraes fredericojg@yahoo.com.br Embrulho de bala, caixa de papelão de sabão em pó, dois pés descobertos: dois pés descobertos e o resto do corpo coberto por um cobertor e malas ao redor e umas roupas ao lado e pés descobertos. Calçada, calçada, rua; rua e faixa de pedestres e outra calçada e um, dois, três, quatro chicletes colados quase formando um círculo. Sapato marrom, tênis branco, sandália, chinelo e o chinelo era azul do lado azul nas tiras e provavelmente azul embaixo mas em cima era branco. Era branco originalmente mas estava meio amarronzado de sujeira. Estava amarronzado de sujeira e de algo preto também, talvez queimada de cana de açúcar. Meia branca, meia cinza, meia preta. Meias nos sapatos, tênis e chinelos. Cabelo na rua, mais de uma pessoa. Rua e outra calçada. Beirada de uma árvore. Canteiro e rodas de carro. Papel de bombom, e é aquele que eu gosto e não é muito doce e pode comer vários. Roda de carro, roda de bicicleta e de...

Cabeça formal e informal

Quando não saía da cama mal podia se mexer. Suas funções motoras estavam perfeitas; era que movimentar o corpo implicava em movimentar a mente e aquilo era demais para ele. Um desapontamento. Sempre lidar ( a verdade é que não sabia lidar) com o pensamento causando mal estar, cruzando os pensamentos com as pernas e entrelaçando corpo e mente em cada esquina para atravessar a rua. Além de lidar consigo mesmo precisava não ser atropelado, respirar corretamente, não surtar na rua (essa última levava bem a sério) entre outras coisas banais ou simplesmente de vida ou morte. Um dia acordou sem pensar. Devia ter tido um caso especial de derrame. Se movimentava igual. Funções motoras ainda perfeitas. O mal estar sumiu, os pensamentos não mais cruzavam seus passos, não esperavam em cada esquina; ser atropelado não lhe passava pela cabeça, muito menos respirar. Não havia surtado: era o mesmo. Poderiam dizer que havia mudado. Mas como? Trabalhava como arquivista e não lidava com muita g...

1 de 3 desastres

João estava super entusiasmado com ter conseguido um emprego. Não podia acreditar que ainda bem jovem (tinha apenas 23 anos) havia conseguido aquele trabalho em uma empresa automotiva. Com mais de 14 milhões de desempregados, via pessoas desesperadas entre seus amigos e na sua família. Agora poderia se tranquilizar um pouco. Começou o trabalho como um bom cristão: se dedicando, não criticando nada e focado no trabalho que, causava um cansaço absurdo, mas que lhe garantia um salário no fim do mês. Uma coisa lhe chamou atenção demais: todos os empregados tinham direito a um terreno. Com as doze horas que acabava trabalhando não teve tempo de visitar o seu pedaço de terra, que lhe concederia uma folga quando se aposentasse. Pensava muito nisso pois queria deixar algo para sua esposa, Francisca com quem havia casado há apenas 1 ano; fora o fato que planejavam três filhos. Um pouco fora dos acontecimentos políticos, sem tempo para ler jornais ou sites na internet, se concentrou...