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Mostrando postagens de 2016

PS: esse conto não é sobre racismo

Como sempre ela acordou e colocou sua maquiagem. Começou pelos pés, dedo a dedo, foi subindo pelas pernas, cintura, barriga, seios. No braço trocou de cor e assim subiu pelo pescoço e todo o rosto. Não gostava do roxo com o qual havia nascido então se pintava sempre de laranja. Ele igual. Não aguentava se ver no espelho. Se acordava para mijar na noite evitava olhar para o espelho no caminho do vaso. Acordou e começou o mesmo processo dela. Ele tinha nascido laranja e se pintava de roxo todas as manhãs. Cruzavam-se na rua todos os dias. Os dois se odiavam pelas cores que acreditavam ser suas naturais. Não se olhavam mais pois parecia muito. Era muito e a divisão estava fácil de concluir. O cego que estava esperando certas coisas, coisas que ele já não esperava muito, sentado, e com um chapeuzinho esperando moedas. Os dois as colocavam. O cego sabia quem era quem, sentia o cheiro da tinta e trajava vermelho. Sua cor era vermelha. Tinha perdido a visão com faíscas de solda. ...

Dias iguais... vício gratuíto

Aquela primeira tragada logo de manhã era sensacional. Ele já tinha tentando parar várias vezes mas o aumento da taxa dava ainda mais sabor e prazer à tragada. Levantou-se cambaleando, totalmente intoxicado e feliz. Pegou o copo de café que estava na avenida Jabaquara e deu um gole. Os carros buzinavam mas não o incomodava nem um pouco. O motoqueiro passou raspando ao seu lado e o xingou. Ele tranquilamente foi para a calçada. O relógio do bar marcava 5 da manhã. O bar já servia pinga com café para três homens com uns 40 e poucos anos. Eles nada notaram. Nada notavam fazia 40 e poucos anos. Ele tinha acesso a seu vício; não sabia porque tinha tentado parar. Era gratuito. Todos pagavam por seus vícios. Ele tinha acesso gratuito! Passe livre. Continua aqui

Viu, fudeu, não esqueceu (parte 2)

Quando chegaram ao quartel, o soldado foi cumprimentar informalmente o tenente, já que sempre fazia questão de que o tratassem sem o "senhor". - Olá Tenas? - Me chame de tenente. Ele não está bem. Vou intimidar esse bosta de soldado. Mas afinal o que aconteceu ontem? Não há muito que possa fazer. Vamos pra sala quem sabe ele melhora. Aiai tou meio preocupado. Vou ficar do lado de fora. E representar minha medalha. Estou suando. Ninguém entra aqui no Tenas... ou será que até eu chamarei ele de tenente? Marechal se sentou pois pensar não era muito a dele O tenente evitou encontrar o capitão e o sargento. Desconfiava que o sargento o havia visto. Em algum momento toda a confusão da noite passada ia chegar a ele, mesmo que ele não tivesse nada a ver com inquéritos. Estava com raiva das suas diversões anteriores. O senso de necessidade o pegou. Assim como o senso da porcaria. De nada de honra. Pegou Marechal e voltou bem cedo para casa. Tantas mortes. Ele 3.